Solidariedade ao povo cubano. Fim imediato do bloqueio criminoso dos EUA!

Toda solidariedade ao povo cubano! Não ao bloqueio imperialista! Em defesa de Cuba Socialista!

Por Esquerda Online

Texto publicado originalmente no site Esquerda Online


É grave a situação em Cuba. No domingo (11), houve protestos com centenas de pessoas em diversas cidades da ilha. A mídia internacional e a extrema direita deram grande destaque às manifestações. Qual o caráter desses atos: são expressões legítimas de uma revolta popular ou são ações orquestradas pela contrarrevolução em Miami? Qual deve ser a posição dos socialistas sobre esse acontecimento?


Os protestos começaram em San Antonio de los Baños, província de Artemisa, que fica a 26 km de Havana. Os motivos iniciais dos atos foram: prolongados e constantes cortes de eletricidade, desabastecimento de produtos básicos, escassez de alimentos, queda do poder aquisitivo e falta de liberdades democráticas. Para completar, nos últimos dias, apesar do enorme esforço que o país fez para produzir vacinas de eficácia comprovada contra a covid-19, a pandemia teve um agravamento com a chegada de variantes mais contagiosas, em um momento em que a vacinação completa está em torno de 15-20% da população. Assim, a manifestação de San Antonio teve uma base real e justa. Tal fato foi reconhecido pelo próprio presidente Díaz-Canel, que se dirigiu ao local para falar com a população revoltosa.


Ocorre que o justo protesto espontâneo foi sendo apropriado pelas forças contrarrevolucionárias organizadas pela burguesia cubano-americana, que reside sobretudo em Miami, e setores da extrema direita dos EUA que atuam fortemente por meio das redes sociais. Assim, infelizmente, as bandeiras norte-americanas foram sendo introduzidas nas mobilizações, procurando dar a elas um sentido contrarrevolucionário. O que se pretende, na verdade, é liquidar a soberania de Cuba e as conquistas revolucionárias que sobrevivem, retomando o controle colonial sobre a ilha. Não por acaso, os protestos logo passaram a ser saudados por Joe Biden, pela extrema direita norte-americana e pelo neofascista Bolsonaro. Diante disso, a esquerda socialista não pode vacilar em escolher de qual lado da trincheira deve se encontrar: o da defesa Cuba contra as agressões imperialistas.


Por onde passa a defesa de Cuba?


A defesa de Cuba, passa, em primeiro lugar, pela mais ampla solidariedade internacional ao povo cubano, começando pela exigência do fim do bloqueio norte-americano à ilha. Seus efeitos se agravaram sob a pandemia, particularmente com a redução drástica do turismo, importante fonte de recursos do país. De forma cínica, Biden declarou que as reivindicações do povo cubano são justas, quando é a própria Casa Branca quem promove um embargo que já dura seis décadas, levando ao sofrimento sem fim de um povo que ele , hipocritamente, diz apoiar.


Tão injusto e imoral é o bloqueio que a própria ONU, em 23 de junho desse ano, votou pela 29° vez uma resolução pelo fim do bloqueio, com 182 votos a favor e apenas 2 votos contra (EUA e Israel) e 3 abstenções. O embargo norte-americano, entre outras coisas, dificulta e encarece sobremaneira todas as importações cubanas, especialmente as de alimentos, energia, medicamentos e outros insumos básicos. Diante dessa realidade, é preciso intensificar a campanha internacional pelo fim do bloqueio que se faz ainda mais criminoso durante a pandemia.


Em segundo lugar, para romper o cerco imperialista a Cuba, se impõe a tarefa de apoiar e fortalecer mobilizações dos trabalhadores e dos povos oprimidos, para conquistar governos solidários ao povo cubano, construindo uma frente política e econômica que se contraponha à política de recolonização do imperialismo na América Latina. Isso é fundamental porque sabemos que não é possível o socialismo num só país.


Terceiro, a defesa de Cuba deve vir acompanhada da crítica às medidas de abertura econômica capitalista implementadas pelo governo cubano, que estão produzindo desigualdades sociais crescentes na ilha. Desde 2011, por exemplo, o governo cubano facilitou a criação de pequenos e médios negócios privados que passaram de 50 mil para mais de 500 mil entre 2010 a 2020. Enquanto isso, a criação de cooperativas não chegou a 700, devido aos procedimentos burocráticos e à falta de incentivos [1]. Uma economia que cresce apoiada em negócios privados estimula saídas individuais e não coletivas, alimentando a base social da contrarrevolução. Outro perigo é a decisão de abrir cada vez mais o país ao capital estrangeiro [2].


Em quarto lugar, é necessário que o governo cubano garanta as liberdades democráticas, bem como a participação democrática do povo na definição dos rumos do país. Somente assim se poderá construir a confiança e a unidade necessárias para enfrentar as forças imperialistas e contrarrevolucionárias, sem que haja mais enfraquecimento da base social da revolução.


O controle burocrático e a democracia formal, expressas nas atuais instituições, minam a energia revolucionária, trazendo desesperança crescente. A defesa de Cuba não pode passar pela censura aos movimentos culturais e pelas perseguição das LGBTs e das organizações sociais, de intelectuais e lideranças populares que reivindicam a Revolução, mas que pensam diferente ou mesmo se oponham a políticas do governo. Liberdades democráticas para o povo se expressar e lutar fortalecerão a Revolução, e não o contrário.


Não apoiamos politicamente nenhum protesto que tenha ligação com os EUA e a contrarrevolução, mas nos posicionamos contra a repressão e a prisão de pessoas do povo e da esquerda que se manifestam por demandas populares e sociais legítimas. Nesse sentido, repudiamos a prisão e exigimos a imediata libertação de Frank García Hernández, historiador e marxista cubano, Leonardo Romero Negrín, jovem socialista estudante de Física da Universidade de La Habana, Maykel González Vivero, diretor de Tremenda Nota, e Marcos Antonio Pérez Fernández, estudante pré-universitário. Nenhuma liberdade aos inimigos da revolução, mas toda liberdade ao povo para manifestar suas demandas justas. Só assim poderemos vencer.


Toda solidariedade ao povo cubano! Não ao bloqueio imperialista! Em defesa de Cuba Socialista!



Notas


[1] https://operamundi.uol.com.br/20-minutos/69563/cuba-e-um-dos-paises-que-conteve-a-pandemia-com-maior-sucesso-diz-joana-salem

[2] Idem.

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