Resenha crítica do livro “Capital et Idéologie” de Thomas Piquetty

Esta resenha crítica tem 5 seções das quais a primeira é esta introdução, seguida da história das desigualdades e da sua representação política, na quarta seção se propõe a discussão das saídas proposta por Piketty e pelo autor, tratando também especificamente do Brasil

Por Carlos Schmidt*


Introdução


Num momento em que as atenções estão voltadas para a pandemia do COVID 19, pode parecer fora de propósito entrar em discussões estruturais mais aprofundadas, diante das emergências que se apresentam. No entanto, as respostas imediatas e aquelas que aparecem na sequência, estão condicionadas pelas questões estruturais.


O número de vidas a serem preservadas é reflexo da forma pela qual o serviço público em geral e a saúde em particular, foram tratadas pelos estados e sociedades. A tendência a tratar esses serviços como mercado, com seus critérios de oferta e eficiência é o grande obstáculo para que os mesmos sejam vistos pela ótica das necessidades, que implicam em sobredimensionamento de segurança que não podem esperar os sinais de mercado, porque sua eventual falta pode implicar na perda de uma ou muitas vidas, o que é inadmissível.


Trata-se apenas de fazer a crítica do passado que resultou no que estamos vendo? Não, trata-se de estabelecer daqui para diante uma visão radicalmente oposta, onde a lógica da necessidade e o corolário do planejamento da utilização dos meios disponíveis, seja a prática permanente.


Para implementar esta necessária inflexão, a resenha crítica do livro “Capital et Idéologie”, nos parece útil, melhor seria a leitura de suas mil e duzentas páginas, que infelizmente não estão traduzidas para o português.


Piketty declara que este livro assim como o anterior “Capital no século XXI” discutem a desigualdade de renda (fluxo) e sobretudo de riqueza (estoque). Parte do fato que cada sociedade humana deve justificá-la. Sem esta justificativa o “edifício político e social” pode desmoronar. Para tal produzem ideologias.


Assim, o estado das coisas são construções históricas que combinam, em particular as crises e o lento evoluir das mentalidades, fruto das discussões na sociedade e produções de conhecimento.


É curioso que Piketty não faça referência a Escola da Regulação, francesa e contemporânea que utiliza um aproche semelhante na medida que pensa a construção histórica das instituições que regulam a acumulação do capital que por sua vez determina a distribuição da renda e da riqueza, foco de sua análise.


Penso que o aporte de Piketty é muito importante porque desvenda com profundidade uma questão que é fundamental na crítica do capital no período atual como é crucial na busca de saídas progressivas para os atuais impasses.


A menção de que Piketty não é marxista é irrelevante. No meu entender, para os marxistas, uma crítica do capital em processo deve incorporar aportes de diversas origens rompendo com a desqualificação de ecletismo das análises formuladas pela ortodoxia marxista.


Esta resenha crítica tem 5 seções das quais a primeira é esta introdução, seguida da história das desigualdades e da sua representação política, na quarta seção se propõe a discussão das saídas proposta por Piketty e por mim, tratando também especificamente do Brasil, fechando com as considerações finais.


*Carlos Schmidt é professor aposentado da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS.


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