Relato de uma brasileira em Cuba durante a pandemia

Atualizado: Mai 26

Aos 75 dias da pandemia em Cuba

Por Maria Auxiliadora César*

Texto publicado originalmente pelo site do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


Coerente com os princípios socialistas que orientam a construção do seu projeto revolucionário nestes 61 anos, Cuba coloca em evidência, ainda mais neste período, suas ações intersetoriais e interdisciplinares de caráter solidário, humanista e que se sustenta na unidade de todas as forças políticas, científicas e sociais nacionais e na sua democracia participativa.


Passados 75 dias do início da pandemia, a Ilha de Martí e de Fidel transita por uma situação bastante favorável, indicada por um gráfico com o número de casos confirmados em constante declínio, que se expressa nas seguintes estatísticas:


a) número de altas supera o de casos confirmados;


b) 173 pacientes (97,4%) dos 177 internados confirmados apresentam estado clínico estável,


c) menos casos positivos a cada dia, apesar do aumento do número de amostras estudadas


d) maior número de casos críticos e graves recuperados,


e) vários dias na semana sem falecidos,


f) das 15 províncias, 12 apresentam taxa de incidência de zero ou abaixo de zero por cento, nos últimos 15 dias com média nacional de 1,67%,


g) dos 44 eventos locais de transmissão, 30 saíram da quarentena.


Como é possível?


a) busca ativa desde o primeiro dia que possibilitou a identificação de casos assintomáticos no momento da internação em 50% dos casos confirmados,


b) diagnóstico rápido e número de testes suficientes,


c) protocolos de prevenção, tratamento e acompanhamento,


d) Atenção Primária por meio do trabalho do Médico da Família,


e) estudos populacionais para detectar a circulação do vírus, que inclui preenchimento de formulário e aplicação de testes rápidos e prova de PCR – das 3596 amostras realizadas, 3 casos foram confirmados,


f) produção nacional da maioria de medicamentos, como os anti virais e os imuno protetores, a exemplo do PrebengHo Vir, e do Interferon Alfa 2 B,


g) uso do plasma auto imune de recuperados para tratamento de pacientes,


h) incorporação de mais dois medicamentos: 1) CIGB 258, vacina que ocasiona uma resposta imune que salvou 80% dos casos críticos e mais de 90% dos graves e que são usados na etapa inicial do tratamento para que o organismo possa passar favoravelmente pela doença. Dos pacientes tratados com o CIGB 258, 78% saíram do estado crítico e 92% do grave e desses 50% já estão de alta, quando no mundo o percentual é em torno de 20; e 2) anticorpo monoclonal com alta 87% dos pacientes,


i) preparação preventiva de maior número de leitos e equipamentos nos hospitais, e de salas de terapia intensiva; de mais e mais capacitação de equipes de saúde.


Enfim, a sólida estrutura de saúde, a experiência acumulada e a incansável pesquisa nos centros científicos de investigação para a descoberta de medicamentos efetivos para recuperação dos pacientes e, em um futuro, para a cura da Covid-19 e sua vacina.


Por outro lado, como em Cuba a vida tem um valor inestimável e não se mercantiliza a saúde, as medidas de proteção e prevenção continuam sendo reiteradamente enfatizadas.


Assim, após testemunhar essa situação bastante favorável em Cuba aos 75 dias do início da pandemia, e ainda mais com o recrudescimento do bloqueio comercial e financeiro pelo governo dos Estados Unidos, me perguntei: ‘como é possível?’. Então me lembrei das palavras do Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, em uma das reuniões diárias que preside: “Não é milagre, é socialismo!”


Havana, 23 de maio de 20


*Maria Auxiliadora César é aposentada do Dep. de Serviço Social/ Fundadora do Nescuba/Ceam/UnB/Residente temporária em Cuba


#CubaSalvaVidas

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