Panorama e perspectivas da crise socioeconômica

Atualizado: Fev 18

O avanço da pandemia trouxe consigo uma crise econômica global com consequências humanitárias gravíssimas e que conjuga algo inédito: o colapso do sistema de saúde; impactos drásticos no setor produtivo da economia e queda abrupta da demanda agregada.

Por Assessoria técnica da Liderança do Psol

Texto originalmente publicado por Psol na Câmara


No caso do Brasil, principalmente por conta do tipo de política econômica disfuncional imposta nos últimos anos ao conjunto da sociedade, os impactos da emergência sanitária estão sendo ainda mais profundos. Somando-se a isso o negacionismo, inoperância e fanatismo ideológico do governo federal frente à crise, as previsões são as piores possíveis.


A presente nota pretende subsidiar o debate sintetizando o panorama econômico e as perspectivas para a economia brasileira em três eixos: análise conjuntural e prospectiva do mercado de trabalho; os desafios fiscais colocados e os impactos do possível fim do auxílio emergencial. Mais do que as consequências da crise corrente, a presente nota revela que a recuperação econômica é totalmente incerta e, se ocorrer, será necessariamente desigual. Sobre o mundo do trabalho, a classe trabalhadora, que já sofre com uma crise estrutural de longa data, irá se defrontar nos próximos meses com uma situação ainda mais drástica do que os índices oficiais de desemprego corrente apontam: a tendência é de que a taxa oficial de desocupação, bem como os índices que medem a precarização no mercado de trabalho, piorem significativamente quando as pessoas voltarem a procurar ocupações. Efeito que será potencializado pelo fim definitivo do auxílio emergencial. Milhões voltarão ao mercado de trabalho nos próximos meses e não encontrarão ocupações dignas.


O desemprego tende a deteriorar o tecido social em diferentes esferas: piora dos índices de fome e pobreza; agravamento de problemas relacionados à segurança pública; desestruturação familiar com efeitos nocivos, principalmente, sobre as crianças; aumento da incidência de problemas psiquiátricos, inclusive a elevação do número de suicídios e da dependência química. Os efeitos serão ainda mais cruéis para parcelas da população já marginalizadas por uma série de fatores estruturais, como as mulheres, a população negra e indígena e os LGBT´s. O desafio para a superação da crise se torna ainda maior dramático quando levamos em consideração o arcabouço fiscal vigente que, como veremos no decorrer da nota, impõe, de forma autoritária e anticientífica, restrições fortíssimas à atuação do Estado na contenção dos danos, algo que está na contramão do debate econômico internacional. Dito de outra maneira, as regras fiscais colocadas são entraves à livre atuação da União, com todos os recursos necessários, para o enfrentamento da crise econômica e seus efeitos sociais.


Por fim, a situação da classe trabalhadora só não foi mais crítica durante a pandemia por conta do auxílio emergencial, proposto e aprovado pelo Congresso apesar da oposição inicial do governo federal à proposta. O auxílio atendeu a 67% dos desempregados brasileiros e a mais de 40% das mulheres chefes de família. O valor representa mais da metade da renda familiar para 23 milhões de pessoas e a única fonte para outros 9 milhões. Ou seja, estamos falando da fronteira entre ter ou não comida na mesa. Com o fim do auxílio emergencial, somado a um mundo do trabalho destruído, a situação das famílias mais pobres será desesperadora nos próximos meses.


Leia aqui o artigo na íntegra

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