Mulheres na linha de frente da crise sanitária e no combate contra o capitalismo patriarcal racista

Manifesto Internacional da agrupação feminista, socialista e revolucionária Pão e Rosas

Por Pão e Rosas

Texto publicado originalmente pelo site Esquerda Diário


Há cem dias, em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde reconhecia que a covid-19 havia se convertido em uma pandemia global. Desde então, o coronavírus – que havia saltado da China e outros países asiáticos à Europa – se propagou para todos os continentes, deixando meio milhão de pessoas mortas e vários milhões de infectados.


Hoje, cem dias após o início da pandemia, o número de mortes na Europa foi superado pela América Latina, que recentemente se aproxima de alcançar o ponto máximo da curva de contágios e de falecimentos. Mas, além disso o fechamento de fabricas, comércios, escolas, as restrições de viagens e espetáculos, tiveram um impacto imediato na vida de milhões de famílias do povo trabalhador. Estima-se que, em apenas três meses, se perderam quase 300 milhões de postos de trabalho e 60 milhões de pessoas caíram abaixo do limite da pobreza extrema, somando-se aos 700 milhões que já sobreviviam com menos de dois dólares por dia antes da pandemia.


Enquanto isso, os Estados capitalistas fortaleceram suas forças repressivas durante a pandemia, com o crescimento da vigilância e o controle social, mas também aumentando a repressão contra a classe trabalhadora e os setores oprimidos, em particular contra a comunidade negra. O recente assassinato de George Floyd em Minneapolis, se dá nesse contexto de uma crescente violência policial e dos grupo supremacistas brancos apoiados por Trump contra a população negra, como aconteceu também com o crime de Breonna Taylor, uma trabalhadora da saúde assassinada pela polícia em março passado, enquanto dormia em sua casa em Kentucky.


Mas o racismo, a xenofobia, o sexismo e a transfobia de Donald Trump já desencadearam mobilizações massivas que agora desafiam os "toques de recolher" e enfrentam a repressão ordenada por governadores e prefeitos, tanto republicanos como democratas. O grito de "Black Lives Matter!" (Vidas negras importam) e, durante o mês do orgulho LGBT, o lema “Black Trans Lives Matter” (vidas trans negras importam) acendeu a raiva e a solidariedade que se espalharam como fogo, do Brasil à Alemanha, da Grã-Bretanha até a Argentina. Na França, milhares se mobilizaram contra o racismo e os crimes cometidos pela polícia, convocados por Assa Traoré, irmã do jovem Adama, assassinado dentro de uma delegacia em 2016. No Brasil, as mulheres denunciam o assassinato dos seus filhos e filhas dentro de suas casas, pedindo justiça para Miguel e João Pedro.


O ódio racista que o governo Trump destila é a amostra exacerbada da profunda e estrutural segregação da população afrodescendente nos Estados Unidos. Algo que também fica evidencia na pandemia, onde a maioria das vítimas é negra e pobre. Em Chicago, onde a população negra representa apenas um terço do total de habitantes, sofrem com 73% das mortes por coronavírus. Em Milwaukee, são 26% da população e representam 81% das mortos. Números semelhantes se repetem em Michigan, onde 14% da população é afrodescendente, mas são 40% dos mortos durante a pandemia. Uma situação que é vivida não só nos estados governados pelo Partido Republicano, mas também naqueles em que o Partido Democrata governa.


Os afrodescendentes são aqueles que colocam suas vidas em risco, juntamente com a comunidade latina e migrante, em serviços essenciais, em trabalhos precários, sem proteção à saúde. E são um setor significativo entre os 40 milhões de trabalhadoras e trabalhadores que tiveram que pedir o seguro desemprego, da noite para o dia, durante esta pandemia. Se a rebelião anti-racista contra a violência policial nos Estados Unidos encontrou eco em todo o mundo, é porque a comunidade negra, como a população migrante, em todo o mundo se tornaram a principal vítima do coronavírus, cujo risco de mortalidade está estreitamente ligado à precarização e as condições de superexploração, agravadas pelo racismo. As mulheres negras no Brasil - o país fora do continente africano, com a maior população negra - recebem até 60% menos de salário que os homens brancos e são as que perdem suas filhas e filhos das mãos de uma das polícias mais assassinas do mundo. São as mulheres negras que estão mais sujeitas à precarização do trabalho, aos piores empregos e as que sofrem as piores consequências dos abortos clandestinos.


Para as mulheres, também houveram outras consequências particulares na pandemia: o fechamento de escolas, centros de infância e recreação para as crianças, como as próprias condições de confinamento, aumentaram a carga de tarefas de cuidado realizadas pelas mulheres em suas casas. Isso é ainda pior para as mulheres que sustentam suas famílias sozinhas, para as que se viram obrigadas a continuar trabalhando, para as que ficaram sem emprego e as mulheres dos setores populares. Além disso, estima-se que cerca de 18 milhões de mulheres que tinham acesso a métodos contraceptivos possam ter ficado sem eles durante a pandemia, pois em muitos países tornaram-se escassos durante esses meses, ficando impossível adquiri-los em meio às restrições. Por outro lado, os cortes no orçamento dos sistemas de saúde - anteriores a pandemia - também limitaram sua capacidade operacional e, entre outras consequências, hoje estima-se uma redução de apenas 10% no acesso a serviços de abortos seguros nos países mais empobrecido, teria produzido 3 milhões de abortos clandestinos com a morte de cerca de 28 mil mulheres, enquanto outras 15 milhões de mulheres acabariam assumindo gravidezes indesejadas. E, durante os confinamentos ditados pelos governos em todo o mundo, as queixas de violência de gênero aumentaram em 30%.


Hoje, 100 dias após a declaração da pandemia global, os trabalhadores da saúde - onde mais de 70% são mulheres - ainda estão lidando com a saturação de unidades de terapia intensiva em alguns países e, em outros lugares, já começa o alerta sobre a falta de recursos para enfrentar as consequências da ansiedade, medo e estresse, produzidos tanto pela pandemia quanto pela insegurança no trabalho, perda de salários e falta de recursos para famílias inteiras. Também estão denunciando a falta de investimento e preparação dos governos, diante de possíveis surtos de coronavírus, como também exigindo maiores recursos para a Saúde Pública.


Poucos dias antes da OMS declarar a pandemia global, milhões de nós havíamos nos mobilizado em centenas de cidades em todo o mundo, como fizemos em todos os 8 de março dos anos recentes, para comemorar o Dia Internacional das Mulheres nas ruas por nossos direitos, contra a violência sexista e os feminicídios, pela legalização do aborto, contra a precarização do trabalho... Por isso, nós mulheres que assinamos esse manifesto, a 100 dias que se declarou a pandemia do covid-19, nos dirigimos a todas aquelas que somos colocadas pelos capitalistas na “linha de frente” da superexploração e precarização; as que trabalham na “linha de frente” para a reprodução das nossas famílias sem nenhum salário, mas que também trabalhamos na linha de frente de vários serviços e industrias essenciais para garantir a vida social. Às que recebem salários menores que seus companheiros e não temos acesso às mesmas categorias de trabalho, mas somos as que estão na “primeira linha” produzindo mais e mais lucros para um punhado de capitalistas; às que ocupam a “primeira linha” na luta contra a miséria e a fome, sobrevivendo às custas do nosso próprio trabalho sob as piores condições. Hoje, nos dirigimos a todas aquelas mulheres, as organizadas sindicalmente e sem direito se organizarem, nativas, negras, migrantes, racializadas, indígenas, camponesas, mães de pessoas torturadas, encarceradas, desaparecidas e assassinadas pela violência dos aparatos repressivos do Estado, às defensoras do território, às jovens estudantes ativistas lésbicas e transgênero.


“Queremos nos organizar na linha de frente da luta econômica, social e política, contra as patronais, os governos e os partidos que representam seus interesses contra a burocracia sindical que nos divide e limita nossas forças. Novamente, como tantas outras vezes na História, estamos dispostas a estar na linha de frente da luta de classes, tomando o céu por assalto”.

1. A Pandemia do coronavírus não é “natural”: tem profundas raízes e graves consequências econômicas e sociais


A origem dessa pandemia se encontra na brusca ruptura dos equilíbrios ecológicos provocados pelo avanço desenfreado do agrobusiness. Sua rápida propagação por todo o planeta foi acompanhada por cadeias globais de valor que, nas últimas décadas, expandiram inusitadamente as fronteiras do capital em busca de maior lucratividade. Além disso, a pandemia irrompeu brutalmente em países cujos sistemas de saúde veem de décadas de planos de austeridade, ajustes orçamentários, demissões e esvaziamento; enquanto a indústria farmacêutica investia no desenvolvimento de doenças "lucrativas" e os governos ignoraram ou desfinanciavam os programas de pesquisa sobre epidemias.


Tampouco pode-se afirmar que as dezenas de milhares de mortes causadas pela covid-19 são consequência inevitável da propagação do vírus: os governos demoraram a responder ao alerta e em paralisar as atividades não essenciais para proteger ao máximo os lucros capitalistas; e logo, impuseram confinamentos drásticos e globais, sem testes massivos nem ampliação a tempo da capacidade dos hospitais. E mais tarde, também se apressaram em nos enviar de volta ao trabalho, sem informações claras ou medidas adequadas de prevenção e higiene, pelo mesmo motivo. Na maioria dos países, foi evitado ao máximo avançar sobre o sistema de saúde privado e tomar outras medidas fundamentais para não afetar os interesses dos capitalistas.


Ao nos aproximarmos do número de 500 mil mortes, também denunciamos que não é "natural" - como já apontamos - que em algumas cidades dos Estados Unidos, onde as pessoas afrodescendentes constituem 30% da população, são 70% dos mortos por coronavírus. O mesmo se aplica às comunidades latinas nesse país e se repete nos bairros pobres de todas as grandes metrópoles imperialistas, onde vivem principalmente as famílias migrantes. Nos países dependentes, a situação é ainda mais terrível. As taxas de mortalidade e contágio segmentadas demonstram que não é a mesma coisa enfrentar a pandemia com casas adequadas, água encanada, esgotos, alimentação balanceada, acesso a produtos de prevenção e higiene, que sem tudo isso. A conclusão é que qualquer pessoa pode se contagiar de coronavírus; mas a exposição das pessoas ao contágio e a distribuição de recursos para enfrentar a doença são profundamente desiguais, afetando especialmente as classes exploradas e os setores oprimidos. Quem está mais exposto ao contágio e à morte são as trabalhadoras e trabalhadores, precários, afrodescendentes, indígenas, camponeses, migrantes, populações urbanas pobres, superlotadas e marginalizadas, sem-teto ...


“O vírus não fez mais do que acelerar, condensar e expor as brutais contradições do sistema capitalista, que se encontra em sua fase de declínio histórico. Enquanto seguem os debates sobre como se originou o coronavírus e sobre quais são os verdadeiros números de mortes provocados pela desastrosa gestão da pandemia, a única coisa clara para milhões – em todo o mundo – é que, no capitalismo, a ganância, o lucro e os benefícios de uns poucos estão por cima das nossas vidas”.



2. O coronavírus não é responsável pela crise capitalista que querem descarregar nas nossas costas


Os capitalistas e seus governos estão aproveitando a pandemia do coronavírus para multiplicar as demissões, os fechamentos das empresas, as suspensão com reduções salariais, que serão seguidos por uma maior precarização e piora das condições de trabalho. Os números são tão brutais e escandalosos como os números de contágios que eles não puderam evitar: nos Estados Unidos cerca de 40 milhões de pessoas solicitaram seguro-desemprego; quedas históricas na produção ocorreram na China e em quase toda a Europa.Em todo o mundo, os resgates são essencialmente para os grandes capitalistas e, em menor grau, os países imperialistas estão concedendo alguma ajuda insuficiente à população, a fim de evitar mais paralisia maior da economia e sobretudo, explosões sociais. Nos países dependentes, se prioriza o pagamento de dívidas externas, o resgate de empresários e paliativos para milhões de famílias trabalhadoras e pobres, resultados irrisórios diante da catástrofe.


Mas o coronavírus não é o culpado por essa crise, que tem suas raízes nas tendências que se desenvolveram após a crise anterior de 2008: baixo crescimento em investimentos e produtividade, alto endividamento de Estados e empresas e bolhas no mercado de ações, que já anunciavam a possibilidade de uma recessão antes da pandemia. As respostas dadas pelos governos frente ao coronavírus apenas aceleraram essa situação, ainda mais tendo em conta que muitos setores seguirão paralisados ou com menor atividade e que novos surtos ou uma vacina são ainda uma incógnita para os comitês científicos, transformando a recessão em uma depressão na qual é difícil prever como sairá, tendo em conta que muitos setores seguirão paralisados e que novos surtos ou vacina ainda são desconhecidos para os comitês científicos


“Os capitalistas buscarão salvar-se com novos ataques sobre as classes trabalhadoras e os setores populares, ainda maiores aos que vimos durante esses primeiros 100 dias: só nos dão miséria e fome a milhares, cortes salariais e deterioração das condições de trabalho, jornadas de trabalho mais flexíveis e elevados índices de desemprego. Por isso, cada conquista em condições e postos de trabalho ou salários, por sistema de saúde universal e de qualidade, contra a destruição do meio ambiente, devemos arrancar através da luta. Que os capitalistas paguem pela crise!”

3. O sistema capitalista não funciona sem a classe trabalhadora assalariada e sem subordinar o trabalho gratuito das mulheres em seu beneficio


Embora durante longas décadas de neoliberalismo em todo o mundo, a classe trabalhadora tenha sido deslocalizada, fragmentada e atacada, a pandemia revelou que tanto as trabalhadoras quanto os trabalhadores - formais e informais - da linha de frente dos sistemas de saúde, bem como os trabalhadores agrícola, catadores, têxtil, trabalhadores de logística, transporte terrestre, fluvial, marítimo e aéreo, entrega em domicílio, serviços de telecomunicações, indústria de energia, estações de tratamento de água e muitos outros. Somos nós que realmente fazemos o mundo funcionar, garantindo a sobrevivência de milhões.


Mas, com nossos protestos, demandas e greves para exigir a paralisação de fábricas e empresas de setores que não foram considerados essenciais durante a pandemia, também demonstramos a enorme dependência que o capitalismo tem do trabalho humano. É que, apesar dos grandes avanços na robotização e na inteligência artificial, somos as trabalhadoras e trabalhadores que geramos os lucros que vão para os bolsos dos capitalistas.


Enquanto isso, a vida continua se reproduzindo nos lares, principalmente graças às mulheres que somos as que, na maioria das vezes, realizamos o trabalho gratuito para a reprodução da força de trabalho. E essa jornada de trabalho gratuito é adicionada ao que já temos de trabalho assalariado, onde representamos um setor majoritário ou muito proeminente das linhas de frente, como pessoal de saúde, no atendimento a idosos e no atendimento a pessoas dependentes, na limpeza, produção e comercialização de alimentos e outros insumos básicos, no trabalho doméstico remunerado nas casas dos ricos. Mas não apenas porque as mulheres já representam 40% dos assalariados em geral, em todo o mundo, pela primeira vez na história!


“Em síntese, a pandemia evidenciou que do trabalho dessa classe socialmente majoritária dependem tanto da economia como do cuidado que sustenta cotidianamente o sistema capitalista e a vida de milhões. Não só ficou claro que nossa trabalho é essencial para a reprodução social – como já ninguém pode deixar de reconhecer -, mas também, que ocupamos posições estratégicas para a reprodução do capital: ocupamos esses “pontos de vulnerabilidade” das cadeias de fornecimento a escala mundial, constituímos – coletivamente, junto aos nossos companheiros – o sujeito social que possui a potencialidade de afetar o funcionamento do capitalismo”.


4. Vamos organizar e ampliar nossa linha de frente na luta da classe trabalhadora!


As mulheres trabalhadoras e do povo pobre - como tantas outras vezes na história - também somos a linha de frente das lutas contra aqueles que querem tirar nosso pão e o futuro. É por isso que os escribas da burguesia já alertam seus chefes e patrões sobre possíveis insurreições e revoluções que podem ocorrer quando a pandemia passar e os planos de austeridade, cortes e ajustes dos governos capitalistas descarregam, com maior brutalidade, a crise em nossas costas.


As enfermeiras italianas foram as primeiras a convocar todos os trabalhadores para a greve geral no último mês de março, que seu trabalho de salvar vidas as impediu de realizar. Hoje, no Estado espanhol, as trabalhadoras da saúde exigem que eles devolvam o percentual do salário que lhes foi roubado com o ajuste que se seguiu à crise anterior de 2008 e para defender a Saúde Pública. Nos Estados Unidos, trabalhadoras e trabalhadores profissionais de saúde tiveram que enfrentar a repressão e prisões policiais enquanto participavam de protestos pedindo "Justiça para George Floyd" para ajudar os manifestantes. As trabalhadoras do sistema de saúde, como educadoras, cuidadoras e assistentes sociais, em todos os países, continuam a se enfurecer contra os governos responsáveis pelo desastre e os privilégios dos ricos cujos rendimentos e propriedades são os primeiros a serem "resgatados".


Milhares de trabalhadoras em empresas de fast-food, supermercados e distribuidoras, maquilas e fábricas de produção não essenciais, juntamente com seus companheiros, se rebelaram contra empregadores criminosos na Itália, França e, principalmente, no coração do imperialismo dos EUA, além de vários Países da América Latina. Em diferentes lugares, protestos e até revoltas reais contra a fome, o desabastecimento e a escassez foram realizados pelas famílias do povo pobre. São uma prévia do que pode acontecer se milhões de trabalhadoras e trabalhadores retornarem ao trabalho em condições inseguras, se quiserem impor novas e piores condições de contratação, piores salários e jornadas mais longas, ou se ainda houver mais famílias na rua.


No entanto, as burocracias sindicais fecharam fileiras com empregadores e governos, colocando em quarentena reivindicações e planos de lutar para defender nossos direitos. Onde há uma luta, eles a mantêm isolada e tentam limitar as demandas de cada setor aos interesses corporativos. Pelo contrário, impulsionamos a frente única dos trabalhadores, exigindo das lideranças das atuais organizações da classe trabalhadora acordos na luta que nos permitam atacar juntos, mesmo se marcharmos separadamente. Mas nossa perspectiva é removê-los da liderança de nossas organizações e recuperar sindicatos para nossa classe.


“Por isso, convocamos a organizar e ampliar essa primeira linha de lutadoras, contra as burocracias que nos dividem e procuram se reconciliar com os governos e os estados capitalistas, porque temos que alcançar o triunfo das lutas atuais e nos preparar para o sucesso daqueles que virão, que certamente se multiplicarão”.

5. Pela independência política em relação aos partidos que representam os interesses dos capitalistas


Estamos cientes de que a classe trabalhadora, cada vez mais feminina e negra, tem o potencial de interromper o funcionamento da economia e afetar os lucros capitalistas, estabelecer alianças com outros setores populares oprimidos, construir uma nova ordem social baseada na satisfação das necessidades da grande maioria e não no lucro de uma classe parasitária. Mas quando esse potencial é colocado em ação, confrontando a patronal, não apenas enfrentamos os burocratas sindicais - seus agentes no movimento trabalhista - sempre prontos para negociar a taxa de exploração, mas nunca para eliminá-la pela raiz. Também enfrentamos o Estado e os partidos políticos que representam os interesses dos capitalistas.


Eles não são apenas os Donald Trump, Giuseppe Conte, Boris Johnson, Jair Bolsonaro, Sebastián Piñera ou Emmanuel Macron. Existem também mulheres como Angela Merkel, que, com um sorriso "maternal" e firmeza imperialista, propõem um programa para a reconstrução da Europa que trocará resgates aos estados e grandes empresas por planos de austeridade a serem pagos pela classe trabalhadora, cujos termos ainda serão definidos pelas nossas costas. Ou a líder do golpe Jeanine Áñez, que na Bolívia agora pede oração e jejum para enfrentar a pandemia e não hesitou em ordenar massacres militares para consumar o golpe em novembro do ano passado. Existem ainda outras forças de extrema direita que já estavam crescendo antes da pandemia, lançando uma cruzada reacionária contra o movimento de mulheres, pessoas LGBTI e imigrantes. Coincidindo com o Vaticano e as igrejas evangélicas fundamentalistas, eles se opuseram ao que chamavam de "ideologia de gênero" e feminismo, combinando a intenção conservadora de subordinar as mulheres nos papéis familiares tradicionais, com ódio aos estrangeiros. Agora, diante da crise, eles estão novamente tentando capitalizar o descontentamento social com os governos, em um sentido reacionário.


Diante do crescimento dessas forças da extrema direita, as esquerdas reformistas da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina dizem que devemos nos resignar ao “mal menor”, tanto dos antigos partidos social-liberais na Europa, quanto do Partido Democrata nos Estados Unidos ou dos “progressistas” na América Latina. Mas essas saídas do “mal menor” sempre nos condenam a aceitar as mesmas políticas neoliberais combinadas com algumas medidas sociais muito limitadas, que são completamente cosméticas diante da magnitude da crise em curso. Esses governos de “mal menor”, que deixam intactos os lucros dos capitalistas e que seguem confiando nas instituições mais reacionárias de seus Estados, como a polícia, os tribunais ou as hierarquias da as igrejas, não são nenhuma alternativa para enfrentar a extrema-direita. Diante das mobilizações feministas e das últimas mobilizações antirracistas,foram o freio a suas mensagens de ódio, freio que nenhuma força política dos regimes capitalistas ousava colocar.


Por esse motivo, também devemos abrir caminho entre os antigos e os novos reformistas que, com linguagem de esquerda, administram ou se oferecem para administrar a decadência capitalista. Eles são os que pechincham, com seus empreendedores nacionais, as migalhas que podem oferecer hoje para se livrar dos problemas, com a ilusão de que, após a pandemia, tudo voltará a ser como era antes: grandes acordos para os capitalistas e os salários de fome e mais precarização para as famílias trabalhadoras. Esse é o papel escandaloso que o Unidas-Podemos está cumprindo, governando com o PSOE neoliberal, o Estado imperialista espanhol, prestando homenagem à monarquia parasita dos Bourbon e mantendo a constituição de ‘78 herdada do franquismo. Falam em inclusão, como a Frente de Todos, da Argentina, mas no governo não param de pagar a dívida externa fraudulenta enquanto, no coração da capital do país, morrem mulheres jovens de bairros precários, depois de quinze dias reclamando da falta de acesso à água potável no meio da pandemia. Ou como no México, onde o governo da AMLO foi sustentado pelas esperanças de mudança de milhões, incluindo amplos setores de mulheres que confiaram em seu discurso para governar “pelos ricos e pobres”; e que, no entanto, agora mostram uma política que beneficia os empresários, a militarização, parte da subordinação ao imperialismo e às demandas de Trump, continua - o que aumentou os feminicídios por doze anos. Ou como na Bolívia, onde o MAS de Evo Morales negociou sistematicamente com os conspiradores que agora controlam o Estado, usando como moeda de troca o sangue derramado durante a corajosa e espontânea resistência popular ao golpe, na qual o papel principal foi desempenhado pelas valentes “mulheres de saia”. São eles que, como Bernie Sanders, desempenham o papel triste e trágico de lavar a cara de formações políticas sanguinárias, como o Partido Democrata Americano, prometendo algumas reformas sociais com discursos emocionados, para, no fim, retirar sua candidatura e apoiar o candidato Joe Biden, quem, por mais que tentem, não pode esconder o fato de que é um antigo político do establishment. Diante da crise de Trump e do surgimento de protestos antirracistas, o Partido Democrata é chamado a desempenhar seu papel histórico de tornar os movimentos sociais passivos e assimilá-los ao regime burguês imperialista. Resta saber se serão bem-sucedidos com o candidato que, na mesma cerimônia em memória de George Floyd, afirmou que a polícia tinha que ser educada para que “quando houver uma pessoa desarmada, eles devem usar uma faca ou se for para atirar, que atirem na perna em vez do coração”. Um candidato que também esteja sujeito a acusações de assédio e outro comportamento marcadamente misógino. De maneira alguma eles diferem do papel que já vimos, de forma calamitosa, no Syriza na Grécia, quando chegou ao governo como “a promessa da esquerda” e acabou aplicando os brutais planos de austeridade que impôs a Troika europeia, durante a última grande crise de 2008.


Enquanto os representantes dos partidos conservadores, da direita e do populismo de extrema direita, competem pelo primeiro lugar no campeonato de misóginos, xenófobos, racistas, homofóbicos, lesbofóbicos e transfóbicos, entre os antigos e os novos reformistas, estão os discursos “politicamente corretos” que, em grande parte, carecem de políticas concretas que os sustentem e modifiquem substancialmente a vida de milhões de mulheres, lésbicas e pessoas trans, migrantes, negras e precárias. Em muitos países, com algumas medidas e muitas palavras, eles assimilaram e cooptaram boa parte das líderes feministas e do movimento das mulheres. Enquanto milhões de trabalhadoras e jovens estudantes adotaram a luta contra o patriarcado nos últimos anos, alguns dos ativistas mais reconhecidos foram integrados em instituições governamentais ou se tornaram porta-vozes de partidos reformistas, candidatos ou promotores de suas campanhas eleitorais.


“Ao contrário disso, nós lutamos pela independência mais ampla e profunda do movimento de mulheres de todas as variantes políticas do regime que, de maneiras diferentes, representam os interesses de diferentes setores capitalistas, mas não os nossos, do povo trabalhador. E lutamos por uma saída adequada da classe trabalhadora para esta enorme crise”.

6. Nossas vidas valem mais que o lucro deles!


Os capitalistas, os governos, e os partidos políticos que representam seus interesses, e a burocracia sindical como agente do movimento trabalhista, têm um programa de medidas para nos fazer pagar pela crise. Montamos um programa oposto, que visa tocar os interesses dos capitalistas, para que esta crise não seja novamente paga pelos trabalhadores.


Em todo o mundo, para enfrentar a pandemia, continuamos exigindo a centralização do sistema de saúde, incluindo a saúde privada, na perspectiva de sua nacionalização, para fornecer serviços de saúde de qualidade, com os investimentos e salários correspondentes, sob o controle de suas trabalhadoras e seus trabalhadores.


A pandemia não é uma desculpa para fechar ou reduzir programas de saúde sexual e reprodutiva, serviços públicos de aborto seguro ou qualquer outro serviço de atendimento a mulheres e pessoas com diversidade sexual. Nem continuar condenando mulheres e pessoas grávidas a sérias consequências para a saúde ou morte por abortos inseguros e clandestinos, nos países em que esse direito ainda não foi legalizado. Por esse motivo, continuamos a lutar pelo direito ao aborto, para torná-lo legal, seguro e gratuito, como exige o movimento de mulheres na Argentina, México, Chile e outros países do mundo.


Impulsionamos a organização daqueles que devem continuar trabalhando, para exigir controle sobre as condições de segurança e higiene. Além disso, lutamos contra suspensões com cortes salariais e contra as demissões, exigindo sua proibição. Damos especial atenção aos trabalhadores precários, sem direitos trabalhistas, exigindo subsídios ou salários de quarentena, ou seja, uma renda que lhes permita cobrir suas necessidades mínimas. Lutamos por salário igual por trabalho igual. O racismo e o machismo são mecanismos de dominação que reforçam a exploração, e é por isso que lutamos para eliminar a diferença salarial entre homens e mulheres, bem como a discriminação racial, étnica ou xenofóbica.


Enfrentamos o racismo com o grito de "Black Lives Matter!". Exigimos justiça para Marielle Franco. Defendemos os direitos das mulheres migrantes que, diante do fechamento indiscriminado das fronteiras, foram aglomeradas em campos temporários de trabalhadores agrícolas, em condições desumanas, sem assistência médica ou serviços essenciais, aquelas que foram forçadas a passar a quarentena na casa de seus empregadores, vivendo como internas, separadas compulsivamente de suas famílias. Exigimos o fechamento de todos os centros de detenção de imigrantes.


Contra a demagogia da direita em relação à classe média arruinada, lutamos para que as organizações da classe trabalhadora exijam subsídios estatais, perdão de dívidas e créditos baratos para pequenos comerciantes, trabalhadores por conta própria e autônomos que deixaram de receber renda durante o período de confinamento.


Lutamos por impostos progressivos em grandes fortunas, porque é obsceno que o 1% mais rico do planeta acumule 82% da riqueza global. A propriedade isenta de impostos da Igreja, assim como as vastas quantidades de propriedades vagas dos grandes grupos imobiliários que especulam aluguel e turismo, devem ser colocadas ao serviço das necessidades dos trabalhadores, começando pelos sem-teto, pelas famílias que vivem em condições superlotadas e insalubres em barracos e outros prédios precários e mulheres, meninas e meninos vítimas de violência machista e abusos.


Nos países dependentes, propomos o não pagamento da dívida pública, porque os bancos e o capital financeiro não podem continuar afundando países e regiões, nem sobrecarregar os estados com dívidas impagáveis. Por esse motivo, também propomos lutar pela nacionalização dos bancos sob o controle de seus trabalhadores, centralizando a poupança nacional de acordo com as necessidades populares.


O monopólio estatal do comércio exterior também é uma necessidade em todos os países: nos países exportadores de matérias-primas, impediria que as rendas fossem retiradas por um punhado de agroexportadores multinacionais, empresas de mineração ou empresas de pesca.


E rejeitamos o fortalecimento dos aparatos repressivos dos Estados: não são a polícia, as forças de segurança ou as forças armadas, que assassinaram George Floyd (como acontece diariamente com os jovens negros dos bairros populares e os filhos das famílias pobres em todo o mundo), que reprimem nossos protestos e que são responsáveis por tortura, extorsão, tráfico de drogas ou tráfico de mulheres, os que vão garantir o cumprimento das quarentenas. Também rejeitamos a espionagem e o controle policial e estadual, com o suposto objetivo de controlar infecções. Defendemos a nossa organização mais ampla exercendo o autocontrole e a autodisciplina da classe trabalhadora diante da pandemia.


Nos países imperialistas, combatemos o patriotismo reacionário que confronta os povos e também o racismo, bem como todas as formas de discriminação contra os migrantes. O anti-imperialismo é uma bandeira essencial nesses países, uma vez que empresas e estados monopolistas exercem a espoliação mais brutal na maioria das nações oprimidas. Exigimos o fim das sanções contra Venezuela, Cuba e Irã.


“Assim como nós mulheres nos mobilizamos massivamente em todo o mundo por nossos direitos, em cada um dos últimos 8 de março, também apelamos ao internacionalismo da classe trabalhadora, para nos unirmos através das fronteiras contra nossos inimigos de classe em comum. Nós, com nossas vozes cheias de raiva, pedimos que as mulheres trabalhadoras de todo o mundo se organizem e lutem por esse programa, porque nossas vidas valem mais do que o lucro deles!”

7. Pelo pão e pelas rosas


As mulheres da classe trabalhadora nunca aceitaram passivamente os ataques contra suas condições de vida, nem ficaram quietas olhando suas famílias morrerem fome. Não se calaram quando atropelaram seus direitos e liberdades, nem hesitaram quando quiseram conquistar o que acreditavam ser justo. Isso aconteceu com as mulheres do povo pobre da França em 1789, com as mulheres negras que foram protagonistas da revolução que aboliu a escravidão no Haiti em 1804, com as trabalhadoras têxteis russas em 1917 que deram o pontapé inicial do processo revolucionário que levou ao poder a classe trabalhadora, e são muitos os exemplos históricos de processos revolucionários que foram desencadeados pela faísca incendiária das mulheres.


Dessa mesma forma, as mulheres da classe trabalhadora enfrentarão os próximos ataques que hoje se formam na crise pandêmica que, além disso, aduba o terreno para o surgimento de novas formas de pensar. Suas atuais e futuras lutas pelo pão iluminarão a pradaria? Nosso objetivo é dobrar o braço dos capitalistas e abandonar a resistência eterna, para conquistar a vitória. Como dizia a revolucionária Rosa Luxemburgo: "Queremos uma nova sociedade e não estabelecer algumas modificações substanciais da velha sociedade que nos escravizou".


Lutamos por uma sociedade em que a reprodução e a produção se desenvolvam harmoniosamente com a natureza; uma sociedade livre de todas as formas de exploração e opressão que hoje pressionam a grande maioria. Mas somos conscientes de que essa sociedade não emergirá, espontaneamente, da crise atual, embora a recomposição do sistema capitalista seja cada vez mais difícil e com um alcance menor do que a recuperação anterior. Sabemos que, embora as contradições do capitalismo sejam cada vez mais irresolúveis sob suas próprias regras de funcionamento, sua decadência não implica o advento automático de uma insurreição global triunfante. É necessário prepará-la desde agora.


As trabalhadoras, feministas anticapitalistas e socialistas revolucionárias apostam que as mulheres também estejam na primeira linha da luta política e a luta de classes para derrotar os capitalistas, seus governos e seu estado. Somos conscientes de que, nesses combates atuais, lutando para impor um programa que dê uma saída da classe trabalhadora e independente dos capitalistas à crise que a humanidade atravessa, está em jogo como nos preparamos para futuros combates. Somos cientes de que necessitamos pôr em pé uma organização política revolucionária da classe trabalhadora se não quisermos sermos impotentes nos próximos enfrentamentos de luta de classes a que os capitalistas nos conduzem, declarando uma verdadeira guerra, aprofundada pela pandemia.


“Mãos à obra! Construamos uma organização política revolucionária internacional da classe trabalhadora que abra a perspectiva de derrotar o capitalismo e impor uma nova ordem socialista, onde sejam abundantes o pão e também as rosas!”

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ALEMANHA Charlotte Ruga, enfermeira obstetra do Hospital "München Klinik", Munich; Lisa Sternberg, enfermeira de cuidados intensivos do Hospital "München Klinik", Munique; Lilly Schön, economista, trabalhadora da Universidade de Tecnología y Economía, Berlim; Tabea Winter, estudante de Serviço Social, Universidade Alice Salomon, Berlim //ARGENTINA Myriam Bregman, advogada, deputada da Frente de Esquerda, Buenos Aires; Andrea Lopez, médica generalista Hospital José Ingenieros, membro da Comissão Diretiva de Cicop, La Plata; Natalia Aguilera, enfermeira Hospital San Martín, La Plata; Pamela Galina, médica residente Hospital Noel Sbarra, delegada Cicop, La Plata; Natalia Paez, médica residente Hospital San Martin, delegada Cicop, La Plata; Lucía Rotelle, psicóloga Hospital José Ingenieros, delegada ATE, La Plata; Laura Cano, médica residente del Hospital José Ingenieros, delegada Cicop, La Plata; Julieta Katcoff, enfermeira, delegada ATE, Hospital Castro Rendón, Neuquén; Florencia Peralta, enfermeira, delegada ATE, Hospital Castro Rendon, Neuquén; Barbara Acevedo, enfermeira Hospital Garrahan, Buenos Aires; Carina Manrique, enfermeira Hospital Garrahan, Buenos Aires; Florencia Vargas, administrativa Hospital Garrahan, delegada ATE, Buenos Aires; Florencia Claramonte, administrativa Hospital Garrahan, delegada ATE, Buenos Aires; Laura Magnaghi, técnica médica, membro de la diretiva de ATE Sur, Hospital Alende, Lomas de Zamora; Claudia Ferreyra, enfermera Hospital Rivadavia, Buenos Aires; Melina Michniuk, psicóloga concorrente Hospital Piñero, Buenos Aires, Andrea D’Atri, fundadora do Pan y Rosas, Buenos Aires //BOLIVIA Fabiola Quispe, advogada e membro de PRODHCRE (Profissionais Pelos Direitos Humanos e Contra a Repressão Estatal), La Paz; Gabriela Ruesgas, economista y professora do Curso de Sociologia - UMSA, La Paz; Daniela Castro, Formanda em Antropologia - UMSA, La Paz; Gabriela Alfred, Licenciada em Filosofia, pesquisadora, Tarija; Violeta Tamayo, Cientista Política e Pesquisadora, La Paz // BRASIL Letícia Parks, militante do Quilombo Vermelho; Fernanda Peluci, diretora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo; Carolina Cacau, professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro; Silvana Araújo, linha de frente da greve das terceirizadas da Universidade de São Paulo; Diana Assunção, diretora de base do Sindicato e dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo; Maíra Machado, diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo); Flávia Telles, coordenadora do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas; Flavia Valle, professora da Rede Estadual de Minas Gerais; Val Muller, estudante da UFRGS e militante da Juventude Faísca, Rio Grande do Sul; Barbara Della Torre, trabalhadora do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo; Virgínia Guitzel, militante trans e estudante da UFABC, São Paulo. // CHILE Natalia Sánchez, médica do Comitê de Emergência e Resguardo, Antofagasta; Silvana González, trabalhadora da limpeza Hospital de Antofagasta e dirigente sindicato N°1 Siglo XXI, Antofagasta; Carolina Toledo, enfermeira e integrante das Brigadas de Saúde na revolta del 18 de outubro 2019, Santiago; Carolina Rodriguez, Técnica Paramédica no Hospital Sotero del Río; Santiago;; Isabel Cobo, trabalhadora industrial y dirigente sindical de laboratórios; Santiago; Joseffe Cáceres, trabalhadora da limpeza e dirigente sindical da Universidade Pedagógica, Santiago; María Isabel Martínez, dirigente do Colégio de Professores Comunal Lo Espejo, Santiago; Patricia Romo, presidenta do Colégio de Professores Comunal, Antofagasta; Pamela Contreras Mendoza, assistente de educação e ex-representante Coordinadora 8 de Marzo, Valparaíso; Nataly Flores, trabalhadora retail, diretora sindicato de Easy, Antofagasta; Camila Delgado, dirigente sindical retail, Temuco. // COSTA RICA Stephanie Macluf Vargas, estudante da Universidad de Costa Rica // ESTADO ESPANHOL Josefina L. Martínez, jornalista e historiadora, Madrid; Cynthia Burgueño, historiadora e trabalhadora de Educação, Barcelona; Raquel Sanz, trabalhadora doméstica, Madrid; Àngels Vilaseca, trabalhadora de Serviço Social y Cuidados, Barcelona; Soledad Pino, teleoperadora, Madrid; Rita Benegas, imigrante trabalhadora doméstica, Barcelona; Neris Medina, trabalhadora imigrante em rede de comida rápida, Madrid; Lucía Nistal, pesquisadora UAM, Madrid; Verónica Landa, jornalista de Esquerra Diari, Barcelona. // ESTADOS UNIDOS Tre Kwon, enfermeira del Hospital Monte Sinaí, New York; Julia Wallace, ativista de Black Lives Matter, membro do Local 721 do Sindicato de Trabalhadores de Serviços Públicos da California Sul; Tatiana Cozzarelli, estudante de doutorado em Educação Urbana em CUNY, New York; Jimena Vergara, imigrante mexicana, correspondente do Left Voice, New York. // FRANÇA Laura Varlet, trabalhadora ferroviária na SNCF em Seine-Saint Denis, região parisiense; Nadia Belhoum, coletivista na RATP (empresa de transportes urbanos de Paris); Marion Dujardin, docente de artes plásticas na região parisiense; Elise Lecoq, docente de História na região parisina; Diane Perrey, docente em Toulouse / // ITALIA Scilla Di Pietro, trabajora gastronómica; Ilaria Canale, estudiante de enfermería //MÉXICO Sandra Romero, paramédica em primeira linha de atendimento Covid-19; Úrsula Leduc, laboratorista do IMSS e a Secretaria de Saúde; Lucy González, trabalhadora precarizada do setor de saúde; Sulem Estrada Saldaña, Docente de educação básica; Flora Aco González, Trabalhadora estatal reinstalada y defensora de direitos laborais; Yara Villaseñor, trabalhadora precarizada de serviços; Alejandra Sepúlveda, trabalhadora estatal reincorporada, defensora de direitos trabalhistas; Miriam Hernández, trabalhadora administrativa STUNAM; Claudia Martínez, médica residente do setor de saúde // PERÚ Zelma Guarino, estudante de agronomia; Cecilia Quiroz, dirigente do Pan y Rosas; Melisa Ascuña, docente; Fiorela Luyo, estudante // VENEZUELA Suley Ochoa, estudante da Universidade Central da Venezuela


***E seguem as assinaturas de trabalhadoras, estudantes, donas de casa e ativistas que integram o Brot und Rosen, Alemanha; Pan y Rosas, Argentina; Pan y Rosas, Bolivia; Pão e Rosas, Brasil; Pan y Rosas “Teresa Flores”, Chile; Pan y Rosas, Costa Rica; Pan y Rosas, Estado Espanhol; Bread & Roses, Estados Unidos; Du pain et des roses, França; Il pane e le rose, Itália; Pan y Rosas, México; Pan y Rosas, Perú; Pan y Rosas, Uruguai; Pan y Rosas, Venezuela.

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