Fundos de cobertura, GameStop e os pequenos investidores do Reddit: a grande bonança da Blackrock

Sobre a miséria da crítica truncada do capitalismo ou quando os críticos do mercado financeiro viram especuladores

Por Tomasz Konicz* Texto publicado originalmente no Blog da Boitempo


Nas últimas semanas, o mercado financeiro mundial foi abalado por um movimento em rede, uma operação coordenada de milhares de pequenos investidores que, mobilizando os instrumentos das redes sociais, fóruns de debates e aplicativos gratuitos, compraram ações de uma rede de lojas de jogos (GameStop). Esse enxame realizou uma queda-de-braço com grandes fundos de cobertura (hedge funds) que haviam apostado contra a loja, fadada à falência. A estratégia levou a uma alta de preços dos títulos da empresa e colocou em risco os grandes especuladores (que ganhariam na queda das ações). Depois dessa experiência, muitas outras se repetiram, inclusive no Brasil com as ações extremamente depreciadas do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), uma instituição afetada tanto pela pandemia quanto por fraudes internas e investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse conjunto de mobilizações foi imediatamente enaltecido como uma luta contra os grandes tubarões do mercado, a demonstração do poder da “multidão” nas redes, flash-mob econômico e até mesmo como uma “nova frente na guerra de classes”. Essa impressão foi reforçada quando as redes e os fóruns utilizados pelos investidores de varejo sofreram bloqueios e as negociações com os papéis dessas empresas foram controladas – no Brasil, a bolsa de valores (B3) submeteu ações da IRB a leilão.


Tomasz Konicz realiza a seguir uma contundente avaliação dessa visão limitada de uma luta entre “grandes parasitas” (que apostam na baixa) e “pequenos construtores” (que investem na alta), enraizada numa “truncada” crítica do capitalismo. Publicado originalmente em alemão no dia 30 de janeiro de 2021 na The Lower Class Magazine, a tradução é de Javier Blank e Maurilio Botelho, para o Blog da Boitempo. Konicz é autor independente, divulgador da crítica do valor e escreveu, entre outras obras, Colapso do capital: a crise final da economia mundial (2016). Ao lado de Ernst Lohoff, Norbert Trenkle e Robert Kurz ele é um dos autores do especial de capa da edição mais recente da revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda. Coordenado por Maurilio Botelho, o dossiê oferece um panorama introdutório às elaborações da chamada crítica fundamental do valor. Saiba mais sobre a publicação e seu debate de lançamento ao final deste post.


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A GameStop é um fóssil, um anacronismo, cuja agonia não pode ser alongada significativamente nem com seus negócios com a Microsoft. A rede de lojas é especializada na compra e venda de mídia para jogos de computador. Tendo em vista o constante aumento da largura de banda da internet e a correspondente ampliação das plataformas de jogos digitais como a Steam, que eliminam toda a distribuição intermediária e a produção de suportes de dados como fatores de custo, o fim dessa empresa de cerca de 7.500 filiais parece selado. Deve acontecer com ela o que se passou com as grandes cadeias de locadoras de vídeo, que há muito tempo tiveram que abrir caminho para os serviços de streaming. O mesmo se aplica à maior empresa de cinema do mundo, AMC. Cinemas? Na era da Netflix, da covid e da crise climática? Really?


É bastante surpreendente que essas empresas possam aguentar tanto tempo, dado o rápido desenvolvimento das forças produtivas em todos os ramos da técnica da informação. A implementação dos mais recentes conhecimentos técnico-científicos no processo de valorização do capital, que cria novos mercados e ideias de negócio, destrói inevitavelmente campos empresariais ultrapassados – junto com os meios de subsistência dos que deles dependem na forma de trabalho assalariado. Essa “contradição em processo”, como a chamou Marx, é uma constante no movimento de expansão histórica do capital. A economia burguesa gosta de falar de “mudança estrutural” da sociedade do trabalho. Por que empregar dezenas de milhares de funcionários em filiais quando os jogadores podem comprar, no conforto de suas próprias casas, jogos da Nintendo, Sony, EA ou Ubi-Soft pelas plataformas Steam, Amazon, Epic Store?


E, então, quando um modelo de negócios anacrônico não é mais rentável, quando as corporações que agem nesse mercado obsoleto mudam tarde demais e a falência se aproxima, as hienas e os abutres entram imediatamente em cena. “Investidores” gostam de comprar tais corporações em dificuldade a baixo custo para canibalizá-las, desmantelá-las, vender as ações remanescentes com lucro e demitir a maioria dos funcionários – se os assalariados tiverem sorte, podem ainda negociar planos sociais nos quais os contribuintes arcam com os custos dessa liquidação. Nas bolsas de valores, no entanto, os fundos de cobertura (hedge funds) podem se beneficiar da queda dos preços desses candidatos à falência por meio das chamadas vendas a descoberto. Nesse caso, o especulador do mercado financeiro toma emprestado o título em questão, vende-o na bolsa de valores e, mais tarde, após o período de empréstimo ter expirado, compra-o de volta por meio de uma compra de cobertura, devolvendo-o ao proprietário. Se o preço do título tiver caído, da diferença entre o preço no “empréstimo” e revenda da ação (quando estava mais alto) e o preço na posterior compra de cobertura resulta um lucro especulativo.


Do ponto de vista dos agentes do mercado financeiro, tanto faz se os preços sobem ou descem. Mesmo que as empresas entrem em dificuldades financeiras ou colapsem mercados inteiros – há maneiras de lucrar com essa situação, fazendo a previsão correta. Se os preços das ações dos candidatos à falência não caem, ao contrário do previsto, isso traz problemas para tal tipo de especulação com a queda das ações (chamada de “short selling” [venda a descoberto] no jargão do mercado financeiro). Atualmente, por exemplo, o fundo de cobertura Melvin Capital faz de tudo para tentar não afundar, embora evidentemente tenha realizado uma especulação correta sobre o fim da GameStop. A empresa de serviços financeiros, para a qual os fundos Citadel e Point 72 tiveram de conceder injeções financeiras por US$ 2,75 bilhões, simplesmente não previu o enxame da internet.


Na plataforma social Reddit, no subfórum wallstreetbets que conta com quase sete milhões de membros, foram se reunindo todas aquelas forças que, por diversos motivos, são hostis às atividades dos grandes nomes estabelecidos em Wall Street. Corretores jovens e agressivos que querem simplesmente pegar uma grande fatia do bolo com os métodos mais brutais possíveis, misturam-se com ativistas de esquerda preocupados com a redistribuição da riqueza, bem como com produtos da decomposição radical da direita nos EUA, onde a ideologia dos “mercados livres” é levada muito a sério. A nebulosa missão de democratizar os mercados financeiros, punir os “oportunistas” e “fraudadores” de Wall Street, redistribuir o dinheiro em favor da classe média, constitui o frouxo parâmetro comum desse enxame.


O leque do espectro político (que de qualquer forma está se dissolvendo devido à crise) por trás dessa ação vai da socialdemocrata de esquerda Alexandria Ocasio-Cortez ao republicano texano Ted Cruz; da crítica truncada de esquerda ao capitalismo, que vê nos mercados financeiros uma causa fraudulenta para a crise sistêmica capitalista, até o anarcocapitalismo de direita, como se manifesta, por exemplo, no movimento libertário nos EUA, que trata o neoliberalismo como uma traição à doutrina pura dos mercados absolutamente livres. Não é muito difícil detectar nessa mistura também ressentimentos antissemitas subliminares.


Este ativismo dos corretores de ações, carregado politicamente de maneira difusa, que mais uma vez deixa claro quão pouco os sujeitos capitalistas de mercado precisam entender o capitalismo para ter sucesso, tem como alvo a venda a descoberto dos fundos de cobertura por várias razões. Em um nível ideológico, uma vez que a narrativa dos “bons criadores” e dos “rufiões malvados” do capital financeiro se estabelece, tem-se a impressão de que, pela venda a descoberto, o capital financeiro estaria arruinando empresas boas e saudáveis. Ignora-se o fato evidente, explicado acima, de que essas especulações são apenas previsões corretas. É uma crítica ao capitalismo no nível de Sahra-Wagenknecht, que cheira gafanhotos parasitas do mercado financeiro em todos os lugares, cujas maquinações sugariam o sangue de bons e diligentes empresários. O resultado é a aparência de que o capital financeiro está arruinando empresas inteiras.


Entre os heróis do enxame, no qual também brincam muitos turbo-capitalistas, incluem-se consequentemente bilionários como Elon Musk, o homem “mais rico” do mundo, que se solidarizou com o movimento em alguns tuítes e lhe deu o impulso necessário devido ao seu enxame pessoal na rede. Musk é hoje capaz de causar ele mesmo movimentos de mercado com um tuíte, tais como o aumento do preço das ações de fabricantes de jogos em dificuldades.


Capitalistas anti-sindicato como Musk, que saudou o golpe do lítio na Bolívia, são ovacionados pelo enxame, assim como bilionários asiáticos que estão comprando ações da GameStop. Qualquer capitalista pode agora ascender a figura anti-establishment, desde que envie alguns tuítes adequados.


No entanto, foi por simples razões práticas que as vendas a descoberto foram o menor denominador comum em que – depois de várias tentativas fracassadas – o enxame pôde concordar em exceder a massa crítica de investimento que permitiu que a bonança da GameStop se auto-impulsionasse, o que agora envolve outras ações, como a da golpeada companhia de cinema AMC. O enxame simplesmente procura ações contra as quais esteja operando o maior número possível de “shorts” [posições vendidas] para montar ali o “short squeeze” (uma especulação dirigida contra vendas a descoberto que visa elevar o preço da ação). Não são necessários investimentos de bilhões de dólares para isso, já que a venda a descoberto é, de fato, o calcanhar de Aquiles das manobras dos fundos de cobertura. O “short squeeze” do enxame da Internet é uma tática viável para colocar em apuros até fundos de bilhões de dólares. Jaime Rogozinski, o fundador da wallstreetbets, vê seu fórum até mesmo como uma continuação do movimento Occupy Wall Street, que agora teria conseguido atingir Wall Street ali onde dói – no querido dinheiro.


As vendas a descoberto dos fundos de cobertura são de alto risco precisamente porque mesmo investimentos comparativamente pequenos podem fazer com que o preço das ações continue subindo, já que os fundos envolvidos têm de comprar repentinamente as ações, para de algum modo limitar suas perdas, o que desencadeia uma dinâmica ascendente que se autorreforça. O preço das ações da candidata à falência GameStop subiu, assim, de pouco menos de 20 dólares, no início do ano, para mais de 350 dólares – precisamente porque os especuladores envolvidos nas vendas a descoberto agora também compraram as ações para não afundar completamente. Como resultado, vários fundos sofreram perdas significativas. A Melvin Capital teve de abandonar suas especulações, enquanto a Citron Capital, um fundo especializado em vendas a descoberto, relatou uma perda de 100% de seu capital especulativo.


Mas espera-se que muitos fundos mantenham suas vendas a descoberto e é por isso que, em última análise, o “short squeeze” se assemelha a uma batalha de resistência entre o enxame e o fundo – pode a massa de pequenos investidores ativistas segurar o preço por tempo suficiente para que os fundos que apostaram em vendas a descoberto sejam forçados a se render? A ideia distorcida por trás disso é a de conseguir redistribuir a riqueza de cima para baixo por meio do ativismo do mercado financeiro: as perdas bilionárias dos fundos materializam-se no “short squeeze”, na riqueza de todos os pequenos investidores que repentinamente possuem ações altamente valorizadas. O único porém é que aqui se manifesta em pequena escala o problema do capital fictício gerado nos mercados financeiros (que não é constituído pela valorização no trabalho assalariado, mas através da criação de papéis do mercado financeiro), o que também torna a fabulosa riqueza de um Elon Musk em grande parte uma representação contábil. Musk não pode simplesmente gastar os bilhões que possui – eles seriam desvalorizados. A situação é semelhante com o enxame da GameStop. Assim que um número suficiente de ativistas começar a colher seus lucros, ou seja, a realizar a transferência de riqueza de cima para baixo, sua riqueza dissolve-se no ar e o preço das ações entra em colapso.


Os vencedores da bonança da GameStop acabarão sendo todos aqueles que chegaram cedo e saem a tempo, enquanto o “dinheiro burro”, como os deuses de Wall Street chamam a classe média afeita a investimentos, continua injetando suas economias no “short squeeze”. Para fundos de cobertura ousados parece ter chegado a hora de pensar em uma nova venda a descoberto de ações da GameStop, já que estão absurdamente supervalorizadas em US$ 350. Também é mais do que provável que muitos especuladores arriscados que investiram cedo em ações da GameStop alimentaram o “short squeeze”. Um dos maiores vencedores já está claro: a notória empresa de serviços financeiros Blackrock detém milhões de ações da GameStop, cujo valor de mercado, segundo a Reuters, aumentou 2,4 bilhões de dólares. Na verdade, esta é uma “bonança da Blackrock”. Será que esses especuladores terão escrúpulos em liquidar suas posições? Outro vencedor é o capitalista da Internet Ryan Cohen, que ingressou na GameStop em agosto com compras de ações por US$ 75,9 milhões para realinhar a empresa – e cujas ações agora valem US$ 1,3 bilhão.


Os críticos do mercado financeiro dentre os ativistas do enxame Reddit estão assim lutando junto com a Blackrock, suspeitos capitalistas da internet e o golpista anti-sindicato Elon Musk, contra os vendedores a descoberto e os fundos de cobertura, representados como “gafanhotos” malignos. A dialética negativa da crítica truncada do capitalismo, que vê o mercado financeiro como o covil de todo mal, transforma os próprios críticos do mercado financeiro em especuladores financeiros. Missão cumprida. A personificação da crise mundial do capital em “gafanhotos”, sua redução à esfera financeira, pode assim, em última análise, ser transformada em uma estratégia politizada de investimento que lembra os primeiros dias do capitalismo Kickstarter, quando dezenas de duvidosos empresários lançaram grandes campanhas de financiamento coletivo, especialmente no setor de jogos, para açambarcar milhões – apenas para desapontar enormemente milhares de “jogadores-investidores”. O vaporware* Star Citizen de Chris Roberts, criador do Wing Commander, constitui um símbolo de 300 milhões de dólares deste movimento, que sobretudo pretendia democratizar a produção capitalista de jogos de computador, do mesmo modo que agora está se tentando fazer com a indústria financeira.


O que está emergindo aqui é uma nova era de especulação manipuladora, quase “politizada”, do mercado financeiro, na qual aproveitadores se esforçarão para criar um enxame de “dinheiro burro” em torno de suas estratégias especulativas. A fúria do enxame concentra-se, entretanto, nas duvidosas plataformas que permitem a pequenos investidores a negociação sem custo de ações. O trading app Robinhood, que também se vê na tradição do “Movimento Occupy”, é de fato gratuito. Mas, ao mesmo tempo, vende aos grandes tubarões do mercado financeiro os dados comerciais de seus clientes, em troca de pesadas comissões, fornecendo-lhes uma vantagem especulativa em negociações de alta freqüência. Empresas de serviços financeiros como a Citadel, que teve que apoiar o fundo de cobertura Melvin Capital, estão entre os maiores clientes destas plataformas de ações, cujas aplicações lembram os jogos de celular.


E foram precisamente essas plataformas que suspenderam temporariamente a negociação de ações da GameStop, o que muitos participantes do enxame viram como uma medida de proteção corrupta em favor dos grandes fundos de cobertura, que até agora sempre ganharam no jogo do mercado de ações. As empresas de Internet Google, Facebook ou Discord agiram de forma semelhante, bloqueando ou dissolvendo grupos de investidores em enxame. Pelo menos o enxame começa a perceber que o jogo da bolsa é jogado com cartas marcadas – os peixes grandes, no tanque dos tubarões, simplesmente têm uma vantagem informativa.


O problema, entretanto, é que os mercados financeiros sob o capitalismo são mais do que um mero playground para fundos de cobertura e outros especuladores. Diante do processo histórico de crise, que pode ser designado como uma crise capitalista de superprodução, na qual aumentos constantes de produtividade na produção de mercadorias desestabilizam cada vez mais o sistema mundial, os mercados financeiros desempenham um papel fundamental: por um lado, eles geram a demanda financiada por crédito para mercadorias que de outra forma não encontrariam comprador; por outro lado, a valorização de capital fictício corre a toda velocidade a fim de compensar sua valorização cada vez mais estagnada na produção real de mercadorias.


O preço para essa alquimia de décadas no mercado financeiro é a crescente montanha global de dívidas, bem como a intensidade cada vez maior das bolhas do mercado financeiro, que dificilmente podem ser estabilizadas. O último impulso de crise, na eclosão da pandemia no ano passado, só pôde ser estabilizado com grande dificuldade pois Estados e Bancos Centrais bombearam muitos trilhões de dólares e euros para os mercados financeiros absurdamente inflados. O playground no qual o enxame politizado está se formando agora como um novo ator “disruptivo” é ele mesmo instável, repousa, por assim dizer, sobre uma fundação podre – e seria uma ironia adequada ao capitalismo tardio que uma aposta ambígua com ações de jogos desencadeasse um novo impulso de crise.


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Semana passada teve live sobre crítica do valor na TV Boitempo para marcar o lançamento da Margem Esquerda n.35. Maurilio Botelho esteve ao lado de Taylisi Leite e Douglas Rodrigues Barros para bater um papo sobre a atualidade e os desdobramentos dessa vertente teórica no Brasil de 2021. Vale a pena conferir:

* N.T.: “Vaporware é um software ou hardware que é anunciado por um desenvolvedor muito antes do seu lançamento, mas que nunca chega a entrar em produção, tenha ou não seu ciclo de desenvolvimento sido postergado. O termo implica fraude, ou, no mínimo, um otimismo sem garantias; isto é, implica que o anunciante sabe que o desenvolvimento do produto está ainda numa fase muito preliminar para respaldar declarações responsáveis sobre sua data de conclusão, características ou mesmo praticabilidade.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Vaporware).


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*Tomasz Konicz é escritor e jornalista de origem polonesa. Colaborador das revistas Exit! e Streifzüge, entre outras, concentra-se em questões de política econômica e crise. Publicou recentemente Klimakiller Kapital. Wie ein Wirtschaftssystem unsere Lebensgrundlagen zerstört. [‘Klimakiller Kapital’. Como um sistema económico destrói as bases da nossa vida]. Ao lado de Ernst Lohoff e Norbert Trenkle, ele é um dos autores do dossiê de capa sobre crítica do valor coordenado pro Maurilio Botelho para a edição de número 35 da Margem Esquerda, revista semestral da Boitempo.

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