Em solidariedade ao povo de Cuba

No último domingo, 11, grandes manifestações populares tomaram as ruas de Cuba. Em nota, o Secretariado Nacional do MES/PSOL afirma sua solidariedade à Cuba contra as ofensivas imperialistas, ao povo cubano que luta em defesa das conquistas econômicas da Revolução e exige a libertação de militantes socialistas presos.

Por Secretariado Nacional do MES*

Texto publicado originalmente no site da Revista Movimento


As grandes manifestações populares que tomaram as ruas de Cuba nos últimos dias trazem à tona as inúmeras contradições vividas no país hoje. Desencadeadas como consequência da profunda crise econômica combinada com a incapacidade do governo para enfrentar a situação, a revolta ocasionada por cortes de energia se ampliou para um questionamento social mais profundo em um contexto similar às reações populares por melhores condições de vida ocorridas em vários outros países do continente.


O governo dos EUA cinicamente vem defendendo a mobilização do povo cubano. Se realmente quisessem ajudar Cuba, acabariam com bloqueio econômico e Biden revogaria as medidas adotadas por Trump, mas o que querem é agradar a comunidade anticastrista contrarrevolucionária que domina a política norte-americana sobre Cuba. Alguns setores dessa extrema-direita inclusive defendem a invasão do país, o que nada mais é do que a reiteração da política externa imperialista levada até as últimas consequências. O povo cubano não será jamais defendido por estes, e os internacionalistas do mundo tem hoje a tarefa de solidariedade e apoio às justas mobilizações do povo cubano sem vacilar nessa posição antiimperialista.


O criminoso bloqueio econômico não pode servir de escudo permanente para um regime político que não tem mecanismos de consulta popular genuína nem permite a liberdade de expressão por fora dos limites do partido governante. E a resposta do governo cubano perante as manifestações foi similar às de outros governos da região, utilizando da repressão policial contra a população mobilizada e realizando uma série de prisões contra os manifestantes, destacando-se entre elas a do companheiro Frank Garcia Hernández, historiador marxista, de militantes socialistas como Leonardo Romero Negrín, entre outros ativistas sociais.


Clamando para que os “verdadeiros revolucionários” fossem às ruas combater a manifestação popular, o presidente Díaz-Canel apostou no acirramento da violência ao invés de responder às verdadeiras causas do protesto. O acesso à internet, aberto à população no país somente há poucos anos atrás, foi derrubado como forma para impedir a comunicação seguindo o mesmo padrão utilizado em outros momentos no país, ao mesmo tempo que forças policiais foram deslocadas para pontos estratégicos da principais cidades, militarizando os espaços e aprofundando a indignação. Esta postura repressiva pode empurrar o movimento de massas na pior direção, identificando erroneamente o imperialismo como ponto de apoio para sua emancipação quando sabemos que pavimenta o caminho do retrocesso e da desorganização.


O que o governo cubano insista em caracterizar como parte de uma ação imperialista de desestabilização são na verdade manifestações espontâneas sem qualquer tipo de organização convocante. São consequência da profunda piora das condições de vida na ilha nos últimos meses – agravadas pela pandemia da Covid 19 – mas tendo como motivo central as reformas capitalistas que o governo cubano vem aplicando através do conjunto de medidas da Tarea Ordenamiento. Esse pacote econômico eliminou o câmbio duplo ao mesmo tempo em que se realizaram cortes profundos nas gratuidades, nos serviços públicos e nas subvenções estatais de preços de produtos básicos, avançando no desenvolvimento do setor privado e incrementando a desigualdade econômica no país.


Esta insatisfação se combina com a falta da liberdade de expressão e a permanente repressão política contra críticos do regime, voltada não somente contra os grupos impulsionados pelo imperialismo estadunidense mas principalmente contra setores independentes da sociedade e contra comunistas dissidentes. A repressão aos artistas levada a cabo desde o final de 2020, que teve sua maior expressão em San Isidro com a prisão de artistas, desencadearam ampla solidariedade e aprofundaram a indignação que se combinava contra a piora das condições de subsistência e as novas reformas capitalistas.


Nossa solidariedade à Cuba contra as ofensivas imperialistas não pode apagar nossa solidariedade ao povo cubano em sua defesa das conquistas econômicas da Revolução, nem nossa denúncia frente às prisões arbitrárias de camaradas socialistas que divergem da orientação central do partido único. Esses dois aspectos da nossa luta internacionalista são indissociáveis da nossa posição de solidariedade ao povo cubano nos dias de hoje.


Liberdade para Frank García Hernández e outros camaradas presos!


Abaixo o bloqueio econômico!


Contra as reformas capitalistas em Cuba!


Pela autodeterminação do povo cubano!



*Secretariado Nacional do MES (Movimento Esquerda Socialista, organização política fundadora do PSOL).

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