Editorial | 1º de maio de 2020

Trabalho e Pandemia: a classe com gênero, raça e lugar no mundo necessita de um projeto político revolucionário urgente!


A crise econômica mundial, agravada e acelerada pela pandemia do Coronavírus, apresenta desafios extraordinários à classe trabalhadora mundial e suas organizações políticas. A reconfiguração do mundo do trabalho pelas tecnologias informáticas e de comunicação, coetâneas com o neoliberalismo, já havia provocado uma expansão acelerada da superpopulação relativa e das formas precarizadas de trabalho nos últimos 30-40 anos. Por sua vez, a chamada Quarta Revolução Industrial, marcada por tendências tecnológicas emergentes como Sistemas Ciber-Físicos, Big Data Analytics, Internet das Coisas, Internet dos Serviços, a Impressão 3D, Colheita de Energia e Realidade Aumentada, apontava já em 2013 que, até 2023-2033, 47% do empregos nos EUA estariam suscetíveis de serem computadorizados, gerando tendências disruptivas sobre a sociabilidade capitalista, com uma elevação extraordinária dos índices de desigualdade social. Sobre essa destrutiva marcha estrutural do capitalismo 4.0 precipitou-se a pandemia mundial do novo coronavírus, provocando efeitos devastadores imediatas sobre as já decadentes capacidades do sistema em oferecer condições mínimas de reprodução da vida social e do planeta. Nesta edição do Informativo do ODC, apresentamos algumas contribuições para a reflexão sobre esses impactos imediatos. Entre os dados, chama a atenção a estimativa de que 3,3 bilhões de trabalhadores no mundo estão sendo afetados pela suspensão parcial ou total das atividades econômicas, sendo 2 bilhões de trabalhadores informais concentrados em países dependentes como Índia, Brasil e Nigéria. Isso significa que uma enorme parcela da classe trabalhadora está ameaçada em suas condições de vida e subsistência mais elementares, sendo a maior parte dos vulneráveis composto por trabalhadores racializados e mulheres do sul global ou imigrantes. Por outro lado, entre os que seguem trabalhando, sobretudo nos serviços de saúde e assistência, os riscos à saúde são significativos diante da agressividade do vírus. Nesse segmento, as mulheres são as mais vulneráveis, pois compõem a maior parcela de enfermeiras, técnicas de enfermagem, assistentes sociais e cuidadoras. As trabalhadoras domésticas também representam um setor importante da classe que menos encontra proteção do Estado. Mas também trabalhadores informais, de aplicativos, sobretudo jovens e negros, figuram nesta categoria. E finalmente, o incremento das exigências sanitárias e de limpeza associados ao confinamento doméstico têm implicado o crescimento da violência contra as mulheres e nos índices de feminicídio, o que é um outro efeito dramático do momento em que vivemos, em especial no Brasil. Por isso, neste Dia Internacional do Trabalhador, o Observatório da Crise chama a atenção para importância de uma ampla discussão das organizações da classe em torno da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, diante da excepcional produtividade do trabalho alcançada nesta quadra histórica e cuja apropriação tem sido quase exclusividade do capital. Assim, o Observatório da Criselança mais duas campanhas, somadas àquela pelo #FiqueEmcasa e pelo fim do bloqueio comercial a Cuba e Venezuela, #OBloqueioMata: #QuarentenaSimViolenciaNao e #VidasNegras. A unidade da classe trabalhadora mundial em torno a um projeto comum será cada vez mais fundamental na defesa da vida das maiorias. Mais do que nunca, a consigna Trabalhadores e trabalhadoras do mundo, uni-vos! é atual. A emancipação humana começa pela defesa da vida humana e do planeta contra o projeto de morte do capital.

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