Chega! Queremos um feliz Ano Novo!

Não podemos deixar a vida de milhões de brasileiros à mercê das disputas eleitorais de 2022. A defesa da vida deve ser pública e apartidária

Por Berna Menezes

Texto publicado originalmente no site da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco


O ano de 2020 teima em não terminar. Se tudo continuar como está, vamos entrar primeiro de janeiro com as mesmas desgraças de 2020. Só vamos mudar de ano com o fim da Pandemia e com a vacinação em massa e gratuita via SUS. E isso, o governo não está disposto a fazer.


Teremos um Natal triste, além do isolamento que vai restringi-lo ao núcleo familiar, muitas famílias estarão sem um ente querido à mesa. Muitos netos sem avós, crianças sem pai ou mãe, serão tios, vizinhos, amigos e até filhos ausentes devido a irresponsabilidade deste governo e das autoridades ligadas à área da saúde. Desde o dia 12 de março, data em que se teve conhecimento do primeiro caso de covid-19 no Brasil, estamos em uma maratona de irresponsabilidade e descompromisso por nossas vidas. Neste período, ficou claro que não houve uma política centralizada e preventiva por parte do governo federal. Política prevista na Lei 8.080/90 do SUS, que prevê a Gestão tripartite – União, Estados e Municípios com controle social. Desde o início, o governo Bolsonaro encaminhou uma orientação negacionista em relação à pandemia. Essa postura trouxe graves consequências ao controle, às informações, e às políticas curativas e preventivas, que poderiam ter evitado milhares de mortes desnecessárias.


Não podemos seguir nesta toada. Estamos em um momento decisivo do combate ao vírus. O anúncio sobre a existência de diversas vacinas abre uma nova etapa e não podemos seguir vendo “a banda passar” e não fazer nada. Se o governo não faz, nós, a sociedade organizada, através dos partidos de esquerda, movimentos sociais e sindicatos, temos que tomar a frente desta situação sob pena de corresponsabilidade com esse crime.


A ciranda do governo louco


Amanhã o Reino Unido inicia a vacinação de sua população. E como estamos no Brasil? Aqui, se chegarem os insumos, os laboratórios não estão preparados para a produção em massa. Se os laboratórios produzirem, as fábricas não foram acionadas para a produção de seringas. E, se tudo isso fosse providenciado hoje, o que não está ocorrendo, não teríamos uma força tarefa preparada para vacinar milhões de brasileiros espalhados em um território gigantesco como o nosso.


Até as informações sobre os relatórios diários de óbitos e infectados é privado. Por iniciativa dos meios de comunicações, um consórcio utiliza o sistema de bandeiras para orientar a população.


Um sistema à serviço da flexibilização do isolamento, estimulando o retorno às atividades normais. De acordo com esse sistema, se um determinado Estado aumenta em 30 o número de mortos em um dia e no outro passa a 29, já caí de bandeira vermelha, que é situação grave, para azul, em queda. Por outro lado, muitos hospitais de campanha foram desmobilizados gerando um esgotamento da rede em várias regiões.


Chega!


Nós, servidores públicos, somos pagos pelos impostos desde o mais humilde brasileiro, portanto, temos que estar à serviço desta virada. Estivemos, com nossos colegas da saúde, como vanguarda ao combate ao vírus, seja nos hospitais, nos postos de saúde, nas universidades e IFs ou nos centros de pesquisas. Muitas vidas destes profissionais foram ceifadas. Agora, nós, o conjunto do Funcionalismo Público, temos que nos juntar a estes colegas neste combate. Temos que estar à frente e propor medidas urgentes para reverter este quadro! Não podemos deixar a vida de milhões de brasileiros à mercê das disputas eleitorais de 2022. A defesa da vida deve ser pública e apartidária. Por isso devemos propor:


1. Constituição de um Conselho Nacional de Combate a COVID-19. Composta por SUS, Universidades e IFs, Secretarias Estaduais, Fiocruz e outras Instituições de pesquisa e se necessário, inclusive as Forças Armadas, devido a logística. Seriam responsáveis por produção de relatórios diários nacionais sobre os óbitos e contaminação, divulgados através de uma Rede Nacional de Comunicação Comunitária/Institucional. Também seria responsável junto a Anvisa pelo acompanhamento da escolha, produção e distribuição das vacinas para todo o território nacional;


2. Formar uma gigantesca força tarefa, do conjunto do funcionalismo público – hoje somos mais de 11 milhões e mais 1 milhão de militares – nos colocando à disposição do combate ao vírus, fazendo vacinação em massa. Os profissionais de saúde fariam nossa capacitação. Infraestrutura já temos, podemos utilizar as milhões de escolas, postos de saúde, universidades e Institutos Federais;


3. Esta força tarefa deve ser composta pelos 3 níveis dos servidores, federais, estaduais e municipais. Incluídos os militares, pois se estamos em uma guerra contra o vírus, nossas Forças Armadas têm que estar neste combate, pois têm infraestrutura para alcançar os territórios e populações mais distantes e isoladas;


4. Esta Rede Nacional de Comunicação já existe de forma fragmentada, ela deve ser institucionalizada em regime de mutirão. Deve ser composta por adesão de todas as Secretarias Estaduais de Comunicação, a comunicação das Universidades, do conjunto das Instituições públicas e todas as redes de sindicatos e movimentos sociais. Transmitindo ao mesmo tempo, no mesmo horário em todo o país.


Por fim, vamos nos por em movimento à serviço da maioria! Por um Feliz Ano Novo!

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